A Importância da Consciência Corporal na Musculação

Tempo de leitura: 3 minutos

0 Flares 0 Flares ×

O grande erro na prática de exercícios é não levar em consideração o praticante e sua condição momentânea.

Tenho visto colegas ortopedistas dizendo para o seu paciente quais são os exercícios que ele pode ou não fazer. Somente Deus (e o próprio paciente) poderia saber qual exercício e com qual intensidade poderia prejudicá-lo em cada momento da sua vida. O que nós médicos sabemos é que, estatisticamente, tal exercício, feito com tal intensidade, pode aumentar algum problema existente, mas não temos o poder de individualizar aquele conhecimento.

Outro erro enorme é o instrutor da academia querer saber qual o diagnóstico para prescrever exercícios adequados. Não importa o diagnóstico! O que é importante é a situação do seu aluno no momento do exercício. O que deve ser avaliado é o que o aluno está sentindo ao fazer aquele exercício com aquele peso. Se não estiver sentindo nada, pode continuar fazendo. Se sentir dor ou tiver algum desconforto, deve interromper, imediatamente, mesmo que aquele exercício seja altamente recomendado.

Logo, a personagem fundamental e o dono da última opinião é sempre o praticante do exercício. Somente ele SENTE o que o exercício está causando naquele momento em seu corpo. Para isso, ele deve ficar completamente focado e prestando atenção ao corpo e nas suas reações durante todo o exercício, analisando qualquer informação, reação, alteração não só nos músculos trabalhados, como em todo o corpo. Isso se chama desenvolvimento da Consciência Corporal.

O praticante deve evitar se distrair com as outras pessoas da academia, com a televisão, com o som, com conversas. Deve ficar completamente focado e “conversando” com seu corpo: “como está se sentindo com esse exercício?” “Posso continuar?” ”Devo parar ou diminuir?”

Uma pergunta importante que deve sempre  ser feita para si mesmo e para o seu corpo é: “Posso aumentar o peso?”. Mais de 90% dos frequentadores de academia de musculação estão trabalhando com um peso muito abaixo da sua capacidade. Isto significa que não estão extraindo todo o benefício daquele exercício. (Leia o artigo sobre cérebro reptiliano para entender melhor).

A imagem que eu uso é a de “fazer musculação de olhos fechados”, ou seja, estar 100% focado naquilo que está fazendo. Arnold Schwarzenegger aparece em muitas fotos de olhos fechados, e em todas ele está completamente focado, pois esta é a única maneira de fazer exercícios.

Eu defendo que cada um de nós seja o cientista de si mesmo e que o nosso corpo seja o nosso laboratório, observando atentamente o que está acontecendo e como ele está reagindo.

Assim sendo, não é o médico que pode vetar ou liberar um exercício. Ele deve orientar o paciente a não fazer nada que provoque o corpo a reagir com dor, que é diferente do desconforto causado por chegar à falha muscular. O papel do Instrutor da academia é muito importante. Ele irá prescrever e ensinar a fazer um exercício, mas o tempo todo deverá perguntar ao seu aluno: como está se sentido? Está doendo alguma coisa? O peso está muito alto, ou está leve? Devo diminuir? Posso aumentar?

Mas, o principal agente de um exercício bem feito será sempre o próprio praticante. Somente ele sente como o corpo está reagindo ao exercício. Nunca deve aceitar que o médico ou o educador físico sejam os gestores da sua saúde. Eles são apenas consultores, e o conhecimento do assunto que eles têm serve apenas para dar opiniões e sugestões, que o nosso paciente ou cliente poderá aceitar ou não dependendo de como o corpo dele rege.

18

1 comentário


  1. Parabéns doutor ótimos artigos!
    Shows de bola!

    Sérgio
    Fortaleza CE

Comentários encerrados.